Uma história de aconhego…Os cachecoís mágicos

 

Os cachecóis Mágicos

Era uma vez, uma senhora bem velhinha que adorava tricotar, assim que dava às agulhas, sentia um aconchego aconchegante e o som TECTECTEC das agulhas, levavam-na a viajar.

  Naqueles dias, em que parecia que o mundo nada lhe tinha para dar, tricotava, tricotava e iam nascendo cachecóis coloridos, listrados, mesclados, grossos, finos e entrançados. Lá em casa, toda a gente tinha cachecóis, o gato, o cão, os peixes e até as formigas não escapavam a febre dos cachecóis.

 Um dia, depois de tanto tricotar, gastou todos os novelos, restavam apenas uns fiozitos, sem graça.  A senhora bem velhinha pegou no seu cesto e envolveu-se num enorme cachecol vermelho, com este cachecol sentia- se mais nova e forte.

Pensou ir á loja do costume, a loja da Senhora Bebiana, mas ao virar da esquina, os seus olhos pousaram numa montra cheia de novelos coloridos, mas seria possível ela nunca ter reparado nesta loja? Ainda esfregou os olhos, pois a velhice às vezes faz destas coisas, mas nada, lá continuava a loja a chamar por ela.

Como uma criança enfeitiçada, entrou, e os seus olhos percorriam as prateleiras gigantes que chegavam ao teto, cheias, de novelos, de todas as cores e feitios e formas.  Como se continuasse enfeitiçada, encheu os cestos de lã colorida e para espanto, não havia ninguém para pagar. Agarrou nos seus cestos, e ao fechar a porta sentiu o toque de uns sinos tlintlintlin que a fizeram sorrir.

Agora, tinha a lã que dava para tricotar um mundo novo- pensou ela a sorrir.

Olhou para a janela e a tempestade que assolava o reino parecia que tinha vindo para ficar. Ligou a televisão e os repórteres já anunciavam que as árvores e as flores estavam a ficar mortas de frio e mostravam imagens desoladoras.

Foi então, que a Senhora bem velhinha teve uma ideia verdadeiramente brilhante: “se eu fizer cachecóis para as árvores, flores e arbustos, eles vão sentir-se quentinhos e já não vão enregelar.

Passou a noite a tricotar, desta vez, algo de estranho acontecia, os novelos ganhavam vida e as agulhas tricotavam sozinhas, mas como o sono já era tanto, nos seus olhos cansados, achou que sonhava.

De manhã quando abriu os olhos, ficou tonta de espanto, “Meu Deus, como eu trabalhei? E ficou com o coração cheio de felicidade.

Agarrou nos seus cestos e cada flor ou árvore que tremiam de frio, senhora velhinha envolvia-as com um cachecol. Podia jurar que elas sorriam e suspiravam de satisfação.

Um grupo de pessoas, ao ver os cachecóis nas árvores e flores, riram às gargalhadas e apontavam para a velhinha e punham o polegar na testa e rodavam-no, apelidando-a de tonta.

Um deles, que se achava tão esperto e tão lúcido comentava:

– Nunca vimos tamanho disparate, tamanha parvoíce, a senhora precisa de ser internada!

A Senhora bem velhinha, que também já era bem surda, ouviu:

– Nunca vimos tamanho escaparate, tamanha novelice, a senhora precisa de ser ajudada!

A velhinha sorria de satisfação e as suas bochechas coravam com o frio e com um misto de orgulho. Até que um homem grande gordo chegou ao pé da velhinha com um dedo esticado:

– Mas, quem permite tamanho absurdo? Os especialistas em árvores e flores já foram ouvidos? Ainda nem houve debate, O que se passa qui?

A velhinha, continuou a tarefa, mas dos seus olhos cansados, escorriam lágrimas grossas de tristeza. Não estava a perceber…agora estavam a dizer mal dela?

Foi então que uma menina com os olhos cheios de sol, limpou as lágrimas grossas da senhora e falou para a multidão que, entretanto, se juntara:

– Vocês ainda não perceberam que esta senhora está a querer ajudar? E que graças a ela a natureza está a desabrochar? E vocês que estão para aí a apregoar, já arranjaram alguma solução? Ou só querem afiar a língua?

As pessoas olharam em volta e viram as arvores e as flores a despertar. Algumas delas sacudiam as folhas e esticavam as pétalas, outras ganhavam cor e pareciam que sorriam.

Num abrir e fechar de olhos, estava uma multidão a aconchegar cachecóis nas árvores e plantas, com a certeza de que estavam a mudar o mundo.

A senhora bem velhinha piscou o olho à menina dos olhos cheios de sol, ambas sabiam que a magia acontece, basta nós crermos e acreditarmos.

Vanda

 

 

 

 

 

 

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