Um sorriso vale tudo

Como sempre fazia pela manhã, o coelho Julião, olhava -se espelho, sorria e dizia bem lá de dentro:

– Bom dia, obrigado por mais um dia maravilhoso!

Mas, eis que, alguma coisa estava a falhar, o que era? Olhou, voltou a olhar e ahhhvh! a boca não ia para cima, não conseguia sorrir.

Julião estava mesmo aflito, onde estava o seu sorriso? será que o tinham roubado durante a noite, ou pura e simplesmente tinha decidido ir embora?

Saiu porta fora para ver se alguém tinha visto o seu sorriso, o primeiro animal que viu foi o rato Felisberto

– Rato, viste o meu sorriso?

– Não, Julião, o que se passa? Como foi isso acontecer? – exclamou o Felisberto muito admirado.

– Pois, também não sei, quero sorrir, e a boca fica sempre para baixo, estou aflito, vens comigo procurar o meu sorriso?

– Claro que sim! – disse o Rato muito preocupado.

Seguiam os dois pelo caminho, quando encontraram a cobra Alice  que serpenteava  calmamente por uma árvore.

– Alice, viste por aí o sorriso do Julião? – disse o ratinho aos saltinhos.

– Bom dia, também para vós, não, não vi nenhum sorriso, mas quem perdeu o sorriso?

– Fui eu! -disse, o Julião com a boca para baixo.

– Esperem, eu vou convosco procurar o teu sorriso Julião, perder o sorriso é muito grave, bora vamos lá!

Iam os três bosque fora, a olhar para todos os lados , quando ouviram um flap, flap, era a borboleta Júlia  que voava graciosamente, deixando ver as suas asas azuis pintalgadas de laranja.

– Júlia, tu que voas pelo bosque e vês mais que nós, viste por aí o sorriso do Julião? – disseram o rato e a cobra ao mesmo tempo.

– O sorriso do Julião?- disse muito surpreendida a Júlia, enquanto olhava para a boca para baixo do Julião – não, não vi nada parecido por aqui, oh! mas como foi isso acontecer?

– Pois, o problema é esse mesmo, não faço ideia como o sorriso saiu da minha cara? nem sabia que tal coisa podia acontecer.

A borboleta Júlia que tinha um grande coração, disse logo que também queria ajudar, pois perder o sorriso, era algo muito triste.

Iam os três pelo bosque, quando viram algo verde aos saltos, entre os nenúfares do lago. Assim que se aproximaram um pouco mais perceberam que era o sapo Carlos.

– Carlos, Carlos tu que andas pelo lago, viste por aí o sorriso do Julião? – disse a cobra, o rato, e a borboleta.

– Que brincalhões são meus amigos! Aqui no lago, só vejo peixes, gafanhotos e libelinhas.

– Carlos, não estamos a brincar, olha só para o Julião, a boca só vai para baixo, não sobe para esboçar o sorriso- disse a borboleta com as lágrimas nos olhos.

– Calma, vamos falar com a tartaruga, ela é tão velha e sábia que deve saber como ajudar. Perder o sorriso é muito doloroso.

Iam os cinco pelo bosque, à procura da Tartaruga Sofia, que normalmente estava em casa no meio de livros e mais livros.

– Sofia, Sofia estás aí? -gritavam para dentro da árvore oca, onde Sofia costuma estar a ler os seus livros, descansada, longe da confusão do dia a dia no bosque.

– Já vou, já sabem que gosto de fazer todo com calma- disse a Sofia com uma voz pachorrenta.

Assim que saiu, pachorrentamente do seu tronco, perguntou :

-Mas, o que se passa? – disse a Sofia um pouco chateada por tanto alvoroço.

– Perdi o meu sorriso, ou roubaram-me, já procuramos por todo o bosque e ninguém sabe dele e eu já não sei o que fazer- ia dizendo o Julião com a boca para baixo.

– Uhhhhmmm, mostra-me essa cara, e ouve-me bem, achas que alguém perde assim o sorriso sem mais nem menos, ou que alguém rouba sorrisos?

– Então Sofia, mas ele não está cá na minha cara, eu bem que tento, mas a boca vai para baixo.

Escuta Julião, senta-te aqui ao pé de mim , fecha os teus olhos , coloca as perninhas à chinês, leva as mãos ao teu coração e pergunta-lhe onde está o teu sorriso- disse a Sofia com a maior das calmas.

Estavam todos a olhar para a Sofia, como se ela estivesse a dizer o maior disparate do mundo, mas pelo sim, pelo não, acharam que era melhor o Julião fazer a tal coisa.

O Julião sentou-se, fechou os olhinhos, uniu as palmas das mãos e colocou-as bem juntinho do coração e bem baixinho, perguntou ao coração :

– Coração, sabes do meu sorriso?

– Esperou, mas nada, depois experimentou dizer com mais força e convicção:

– Coração, meu coração eu amo-te, podes-me dizer por favor onde está o meu sorriso?

E como por magia Julião escutou a sua voz interior que lhe disse “ O teu sorriso, está contigo, está onde sempre esteve , tu é que te esqueceste de o alimentar e de o amar, experimenta agradecer ao teu sorriso, tudo o que ele tem feito por ti, e diz que o amas , vais ver que logo. logo, ele ficará estampado no teu rosto”.

Julião agradeceu ao seu sorriso e disse que o amava e que o iria nutrir de felicidade. À medida que ia repetindo estas palavras, Julião sentiu o seu sorriso a crescer, a crescer, como se nunca o tivesse perdido.

– Já tenho o sorriso, já tenho o sorriso – disse o Julião com os olhos luminosos como o sol e brilhantes como a lua.

Julião levantou-se calmamente, abraçou calorosamente a  tartaruga Sofia , o rato Felisberto,  a cobra Alice, a borboleta Júlia  e o sapo Carlos.  Bem , que alegria se sentiu entre aquela bicharada e de mãos dadas, cada um deu o seu maior sorriso para o mundo , seguido de uma enorme gargalhada.

Fim

Vanda Furtado Marques

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