Poppy – a cadela escritora

Não fazia a mínima ideia que tinha em casa um cadela escritora, está bem que eu escrevo, que os livros saltam por todos os cantos e recantos da casa, que já a tinha visto a dormir sobre os Miseráveis de Vítor Hugo, e que já a tinha visto a rosnar diante de livros sem interesse nenhum.

Mas dai até pensar que ele escrevia histórias vai um passo tamanho de um gigante.

Bem, vou-vos contar como descobri esta fato inédito. Cá em casa, além da Poppy vive o Mozart- não o genial compositor, mas um gato lindo de morrer que fui buscar a uma instituição amiga dos animais. O pequeno Mozart sempre que nos apanhava na mesa a escrever, ora levava um lápis, ora uma borracha, ora uma caneta. Eu costumava dizer para os meus filhos:

– Este gato é mesmo curioso, até parece que precisa destes lápis para alguma coisa, até parece que também quer escrever.

Riamo-nos desta situação, mas nunca fizemos nenhuma associação com a cadela Poppy.

A Poopy é uma cadela preta linda e muito tonta, adora ir para a rua e também percebe de jardinagem, pois o pai, quer dizer, o Nuno, o pai humano, leva-a a fazer jardins com ele.

Foi nesses passeios que a Poppy começou a ter vontade de escrever, de escrever sobre as plantas e de como elas se sentiam e gostavam de ser tratadas. As plantas contaram-lhes tantas e tantas histórias, que a Poppy achou que as tinha de passar para escrito.

Sem ninguém dar por ela, durante a noite, aprendeu a ler, como eu gostava de a ter visto! Depois como começou a escrever, sempre em segredo, queria fazer-nos uma surpresa, penso eu! Durante um tempo parou a escrita   e teve para desistir, quem iria acreditar que uma cadela escrevia? Os cães nem falam, nem leem, nem são cultos…

Tudo mudou, com a chegada de Mozart, inicialmente, a Poppy não ficou muito contente por partilhar o espaço e a atenção dos donos, mas como era uma cadela culta e educada foi-se afeiçoando ao Mozart. Ainda para mais, este   era um grande ouvinte das suas histórias.  Mozart  pouco conhecia  do mundo da natureza e a Poppy levava-o a sonhar e a sentir o cheiro e  os sons dos bosques.  Ficou tão contente por ter um ouvinte tão atento e entusiasmado que se tornou uma escritora compulsiva.  Com tudo isto, gastou todos os lápis e as canetas que tinha conseguido juntar. Foi assim que o gato começou a trabalhar para ela e ia surripiando o material de escrita cá de casa.

A surpresa deu-se quando a Poppy apareceu a ladrar com um caderno na boca, e eu na brincadeira digo:

– Aqui em casa, os animais também são cultos, olhem só meninos!

A Luísa decidiu tirar o livro da boca e abriu para ler, e começou a arregalar muitos os olhos:

– Mãe, acho que a Poppy escreveu uma história! Ou foste tu, na brincadeira?

Eu fiquei confusa, agarrei o caderno, comecei a ler e também arregalei os olhos, o coração disparou e a minha cabeça começou a andar a mil a hora. A minha cadela sabia escrever? Eu tinha uma cadela escritora em casa? A última vez que eu tinha ouvido um caso assim, ri-me às bandeiras despregadas…e agora pimbas!

Contactei uma editora especializada em animais escritores, porque, pelos vistos há mais casos no mundo e agora a minha Poppy é uma escritora canina, cheia de sucesso.

 

Vanda Furtado Marques

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