pequena história – 2. A fada Bumbum

A fada Bumbumbum

 

Era uma vez…

Uma fada linda e delicada como porcelana da China

As roupas que vestia eram cosidas com fios de oiro e prata, vindos do interior de África.

Os seus cabelos eram penteados com pentes de marfim, vindos da Índia.

E os sapatinhos vermelhos, eram feitos de manteiga da Holanda.

Esta fada era tão delicada que quando o vento soprava forte…VUUU…VUUU…VUUU

dava cambalhotas e pinos sem parar.

Quando a fadinha decidia brincar na floresta, todos ficavam inquietos.

-Ai! Se o vento forte a leva!

-Ui!…  Se os seus pés delicados pisam o chão!

Ih! Se o seu vestido se amarrota!

Era divertido a valer, ver como todo o reino das fadas mimava a fadinha delicada.

As papoilas esticavam-se para que os sapatinhos de manteiga não tocassem o chão.

O sol aproveitava para pôr a conversa em dia com o vento, não fosse ele lembrar-se de soprar.

As borboletas com as suas mãozinhas de pó de perlimpimpim iam ajeitando o vestido, não

fosse ele ficar amarrotado.

Esta azáfama, só parava quando a fadinha, já de noite, bem escurinho, regressava a casa.

Nessa altura todos suspiravam…ufa, ufa, agora podemos descansar.

Mas, nessa noite, o sono não chegava e a cabecinha da fadinha não parava de pensar.

Foi, então, que abriu a janela e assobiou para a amiga lua… e chamou-a:

– Lua, lua preciso da tua ajuda.

A lua, grande e gorda desceu até à janela da fadinha.

– Ó lua… preciso que me ajudes, estou farta de ser apaparicada, quero ser uma fada como as outras, quero transportar o pó mágico para o reino dos homens, quero cuidar das flores, da floresta e dos animais.

– Eu percebo-te, mas tu és uma fada especial! O teu nascimento foi o acontecimento mais feliz e especial do nosso reino.

– Mas, porquê?

– Já sabes, que quando fizeres dezasseis anos, o segredo vai-te ser revelado.

Bruuuuuuuu… que seca! Ainda me faltam vinte e seis dias. Como vou aguentar?

– Não sejas mimada e caprichosa! – exclamou a lua.

Eu vou-te lançar um pouco mais de pó de paciência…, mas é a última vez!

Entretanto chegou o grande dia… Todo o reino se encheu de brilhos e magia. As flores vestiram os seus melhores fatos, as árvores pentearam as suas folhas, as fadas e os duendes enfeitaram as suas asas com purpurinas de mil cores e até o sol, a lua e o vento se alinhavam no céu á espera do grande momento.

Estava tudo preparada para desvendar o grande segredo… eis quando… o vento do Norte que não tinha sido convidado, lançou um ar gelado e arrepiante sobre o reino das fadas.

– Ui… que arrepio, que ventania!… Quem ousa estragar esta festa? – exclamou a Rainha das fadas.

Do céu, descia uma carruagem feita de gelo que vinha zizezageando por entre as nuvens. O reino das fadas ficou suspenso até que se abriu a porta da gelada carruagem.

– Oh! Minha querida afilhada, então iam começar a festa e não me convidavam?

A fadinha olhou para aquela mulher desgrenhada e com um enorme casaco de peles e soltou uma enorme gargalhada:

– Ahhhhhh, de repente pensei que me ias lançar um feitiço, assim daqueles, tipo em que eu picava o dedo e morria.

A festa recomeçou e a rainha das fadas anuncia o grande segredo:

– Tu fadinha, vieste do reino dos Humanos, foste a ultima fada a nascer na terra dos Homens, a partir de ti, as portas dos dois mundos fecharam-se. És a ultima fada com coração que faz bumbumbum , todas nós temos coração de pós de perlimpimpim e que só fazem plimplimplim. Por isso és tão preciosa e única.

A fada sorriu de orelha a orelha, e sentiu  tanto orgulho no seu coração verdadeiro, sabia que ia continuar a ser mimada, mas agora já não se importava…ela era única fada com um coração que fazia bumubumbum e que era descendente dos Homens.

Vanda

 

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