O ursinho Pote de mel

Há bosques que têm sorte em ter um ursinho Pote de mel. Pote de mel era o urso mais carinhoso e doce que eu conheci…enorme, com o pelo castanho cor de mel, os olhos eram redondos e com uma doçura, que até nos fazia tremer o queixo. Mas o melhor de tudo, eram os seus abraços, eram tão, mas tão aconchegantes que parecia que estávamos nos braços de Deus.

 Quando os animais se sentiam tristes ou aflitos, chamavam o Pote de mel e ali estava ele, sempre prontos para os acudir.

-Pote de mel, pote de mel, preciso de ti – dizia a borboleta, com as suas asas murchas e amachucadas.

A borboleta ia esvoaçando, ao mesmo tempo que pedia socorro ao Pote de Mel. Socooooooorrrro Poooooote de Meeeeel

O Pote de mel que tinha sempre as antenas ligadas, ouviu o socorro da sua amiga borboleta e foi acudi-la.

– O que se passa Borboleta, para estares tão aflita?

– Olha só, para as minhas asas estão murchas e enxovalhadas, não percebo, ainda ontem estavam brilhantes e majestosas! até me custa voar – dizia a borboleta com umas lágrimas nos seus olhos.

-Deixa-me eu olhar, com olhos de urso- Com uma grande delicadeza ia passando as mãos nas asas da amiga- Acho que passaste nas asas, algum pólen que te fez alergia. Faço-te aqui uma massagem com as minhas patas e vais ver, ficas boa num instante.

A borboleta nem queria acreditar, mas as patas do Pote de mel era mesmo mágicas, à medida que ele ia passando com as suas grandes e fofas patas, as asas iam ganhando força e brilho.

– Oh! Pote de mel, obrigada! és mesmo especial.

 Cheia de alegria deu um beijinho no nariz do Pote de mel que saltou uma enorme gargalhada de urso.

Ainda não tinha passado uma hora, quando se ouviram uns guinchinhos do sapo.

– Pote de mel, pote de mel, acho que a minha língua encolheu, e agora como vou comer? Socooooooooorrro

Lá veio o Pote de mel até junto do lago ver o que se passava com a língua o sapo.

– Eu quero esticá-la, mas ela está enrolada na minha boca, já deixei de comer umas dez moscas e uns quinze mosquitos – dizia o sapo amargurado.

– Ora abre lá a boca! – ao mesmo tempo que colocava os óculos para ver gargantas. Tu estas é com a garganta inflamada e com a língua cheia de pontos brancos.

O urso tirou do seu bolso um pote de mel para estas emergências e deu a comer ao sapo.

– Achas que com o mel vou ficar bom? – disse o sapo muito aflito.

– Claro que sim, este mel é mágico para curar gargantas.

Talvez pela confiança que o Pote de mel lhe deu, ou então porque o mel era mesmo mágico, o sapo já começava a sentir a língua a esticar.

– Obrigada Pote de mel, não sei o que seria de nós sem ti, és mesmo especial!

O Pote de mel despediu-se com um grande sorriso e o sapo por sua vez, fez o melhor sorriso de sapo que tinha no seu reportório.

Bem, Pote de mel achou que estava na hora da sesta e encontrou uma árvore com uma sombra mesmo fresquinha. Preparava- se para fechar os olhos, quando ouviu uns zumbidos à sua volta.

– Pote de mel, pote de mel tens de nos ajudar as flores do bosque estão a morrer e nós já não temos néctar para fazer mel- diziam um grupo de abelhas muito elétricas e stressadas.

Pote de mel ficou mesmo preocupado, o que estaria a acontecer para as flores estarem a morrer? O urso e as abelhas foram até ao prado das flores e a situação era mesmo triste. Grande parte das flores estavam quebradas, murchas e desmaiadas. Pote de mel, tentou falar com elas, ajoelhou-se ao lado delas, para não as assustar e perguntou-lhes o que estava a acontecer. Mas nada, nem uma vozinha de flor se ouvia.

A situação não estava fácil, as flores nem tinham forças para falar e cada vez mais flores iam tombando e desmaiando. Pote de mel abria os seus olhos redondos, coçava a cabeça, mas nada lhe vinha à   ideia.

Hummmm, será que a terra do prado estaria com algum problema? – pensou o urso depois de matutar umas boas horas.

Realmente, os seus olhos de urso, desta vez tinham falhado, bastava olhar para a cor da terra para perceber que algo não estava bem. A terra estava cinzenta, descolorada, desbotada…como se tivesse triste. Agora é que o Pote de mel ficou preocupado, para esta doença ele não tinha remédio, nem sabia o que fazer.

Estava na hora de reunir os animais do bosque e entre todos tentar encontrar uma resposta. Foram chegando, foram -se sentando e aconchegando junto da casa do Pote de mel.

– Animais do bosque a terra do bosque está a ficar cinzenta, descolorada, desbotada, não tarda as flores e as árvores não terão o que comer, não sei o que está a acontecer? – dizia o urso com a voz trémula.

Não foi preciso muita conversa, pois logo uma toupeira, falou:

– Sabem, eu ando nas profundezas da terra e vou me apercebendo que o coração da terra está a perder as forças, a vitalidade, a energia. Temos de a alimentar de fé e esperança.

– Como? mas como fazemos isso? – disseram os bichos em coro.

– Bem vou vos dizer algo que podem achar absurdo, mas só o farão se acreditarem e confiarem. Vamos fazer um círculo e vamos todos dar as mãos:  mãos de borboleta, com mãos de sapo, com mãos de abelha, com mãos de urso, com mãos de toupeira, sem constrangimentos e medo. Depois, com as mãozinhas à yoga junto ao coração, mandamos todo o amor do mundo à Mãe terra … depois esperamos para ver.

A roda dos bichos ali esteve, firme e confiante e como seria de esperar, no Mundo das histórias deu-se o milagre…a terra ganhou cor, força, vitalidade e esperança num mundo mais cooperante.

No mundo dos Homens… ainda temos muito a aprender para que a Mãe- Terra confie em nós.

Vanda

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