O segredo da Lua

 

Era uma vez… um menino chamado Simão.

Simão era um menino de olhos grandes e cabelos revoltos, muito, muito, curioso, quando os seus enormes olhos se abriam, pareciam duas lanternas de um explorador.

Simão adorava explorar o mundo, andava sempre com um bloco de notas, uma lupa e uma caixa de fósforos, e uma grande mochila cheia de tralha, pois quem sabe se não iria fazer uma descoberta ultra mega, super fantástica!

Simão queria perceber para onde tinha ido as palavras bonitas e fofas, estava farto de ouvir as pessoas a ralharem e a atirarem palavras feias umas às outras.

As palavras tinham perdido a suavidade e a beleza, tornaram-se pesadas, bicudas e cortantes.

Nesse dia, Simão saiu de casa com o fato de explorador que os pais lhe tinham dado nos anos, com a lupa, a caixa de fósforos e a mochila da tralha.

Foi, então que a vizinha do lado lhe disse:

-Simão trapalhão, Não me pises a relva e faz pouco barulho a andar!

-Ai, Ai, lá vem as palavras pesadas e feias! É que as letras parecem um exército de soldados com má cara.”

Foi, então que ao carteiro ao vê-lo no passeio a comer um grande e enorme pão, disse-lhe:

– Simão comilão, não faças barulho a trincar o pão!

-Ai, Ai, lá vem as palavras pesadas e feias!.. É que as letras parecem um exército de soldados com má cara.”

Foi, então que o jardineiro, quando o viu saltar entre os canteiros, lhe disse:

– Simão saltitão, não me assustes as plantas!

-Ai, Ai, lá vem as palavras pesadas e feias!.. É que as letras parecem um exército de soldados com má cara.”

Foi, então que o vendedor de gelados, quando o viu direito a ele com uma moeda na mão, lhe disse:

– Simão glutão, já não vendo mais gelados, é o que dá, vir sempre atrasado!

-Ai, Ai, lá vem as palavras pesadas e feias! É que as letras parecem um exército de soldados com má cara.” Não pises a relva, “Não faças barulho, “Não me assustes as plantas”, “Vens sempre atrasado…-Bolas, vou fugir a cem Hora!

Simão correu e escondeu-se na casa da árvore, que ficava no bosque, onde costuma brincar. Como excelente explorador que era, pensou alto:

– Para onde terão ido as PALAVRAS BONITAS? O que mudou no nosso planeta?

Simão ficou pensativo, ligou as ideais umas às outras, com toda a força e energia Depois foi abrindo os seus olhos grandes, enormes e sorriu, sorriu com uma grande gargalhada e disse:

Claro…Claro… Claro

A casa da árvore era o local ideal, tudo o que era necessário para esta exploração estava guardado numa grande arca mágica.

Já dentro da casa, abriu o mapa de explorador, e com o dedo percorreu o caminho que tinha de fazer…Uiiiiiiiiiii era tão longe!

Desta vez, achou melhor vestir o fato de astronauta … e esperar que a noite ficasse bem escura.

Preparou o foguetão que estava no estacionado na clareira do bosque, ligou o botão eVUMMMMMMMMMMMMMMMMM… voou para o universo a uma velocidade estonteante.

Subiu, subiu, foi vendo a terra cada vez mais distante até ficar um potinho.

Aterrou no planeta ao lado da lua e com um grande sorriso , pensou para si “Ah!.. Lá estava ela gorda como nunca, há um mês que a Lua se mantinha cheia e gorda”.

Simão decidiu meter conversa com a lua para provar a sua teoria:

– A senhora Lua é melhor fazer dieta, está a ficar muito gordinha…

– Ai! não me digas isso… nota-se muito!!- exclamou a lua com preocupação

– O que anda a comer que a está a deixar dessa maneira? Perguntou o Simão com um ar malandro.

– Sabe, passam por aqui umas palavras deliciosas, redondas, suaves, fofinhas e carinhosas e eu não resisti, engoli uma… Hum! Hum!… Que delicia, depois outra e outra…

– Eu sabia… eu sabia, eu sou mesmo um grande explorador! – Sabe, senhora Lua, as pessoas não souberam guardar as palavras bonitas e elas fugiram aqui para o espaço. Lá em baixo as palavras andam duras e cortantes como lâminas… é terrível! É verdadeiramente assustador

– Mas, porquê? Elas são tão deliciosas e aconchegantes?

– Sabe Senhora Lua, as pessoas esqueceram-se de ouvir a voz do coração, a boca ligou-se ao lado errado das emoções e fez curto-circuito…Tchhhhh..Tchhhhhh e pronto … está tudo estragado!

– Bem, que confusão…Simão!

-Senhora Lua!.. Eu preciso tanto… que a senhora solte as palavras fofas, ainda para mais, voltava a ficar elegante!..

-Concordo, mas preciso que me faças um favor… de vez em quando lança-me umas palavras doces e bonitas cá para cima… é tão bom senti-las na barriga.

– Está combinado, senhora Lua…

E assim foi… quando as palavras  se soltaram  da barriga da Lua fizeram magia no mundo dos Homens.

Vanda Furtado Marques

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