O Sabor do mundo

Era uma vez uma menina que adorava saborear as palavras, principalmente, as que eram doces e fofas, quando eram mais ríspidas nem as gostava de ter na boca, nem queria que lhe tocassem na língua.

Esta menina adorava andar pelas ruas e ouvir as pessoas a falar e a conversarem, pois conseguia perceber, pelos biquinhos que faziam com a boca , se a abriam muito ou pouco , se só sussurravam , se puxavam os cantos da boca, que tipo de palavras saboreavam ou enrolavam a custo.

Mas, Ultimamente as coisas estavam a ficar amargas, a menina só via bocas para baixo, e olhares tristes, nem o som da melodia das palavras se sentia. Assim, a menina passou a andar na rua com algodão nos ouvidos, não fossem as palavras entrarem pelos ouvidos dentro como um pelotão de assalto. Quanto ao olhar, passou a dirigi-lo para o céu e para as nuvens, pois sentia-se como se tivesse no colo de Deus.

Bem, seja porque as palavras se andavam também a sentir sós e cabisbaixas, ou porque queriam conhecer alguém que as saboreassem, as palavras começaram a meter-se com ela.

– Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, o que se anda passar? Hoje a palavra BRINCAR  anda trepar por mim a cima, é tão tonta ? faz-me cocegas na barriga e atras das orelhas, já não sei o que lhe fazer?

-Filha, és uma sortuda! Pois a palavra SOLIDÂO, não me deixa e acorrentou-me em casa.

– Parem suas letras tontas – disse a menina- antes que faça xixi pelas pernas abaixo! Espera mãe já sei!

A menina abraçou a mãe e logo as letras se misturaram e surgiu o SOL o RIR e BOA. A mãe sorriu como o sol e a menina saboreou a palavra BOA como se fosse um bolo de chocolate.

E nesse dia, a mãe com um riso tamanho do sol e uma menina que saboreava a bondade mostraram pelas ruas que se nós dermos o melhor que temos dentro de cada um de nós podemos mudar o mundo.

Vanda

 

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