O Rei manda…cinco passos a bailarina

– Já estamos atrasadas, vamos antes que o rei dê pela nossa falta, apressem-se!

A praça já estava cheia, o rei no seu trono real em tamanho gigante já estava a começar a dar ordens e os seus cortesãos coelhos já estavam a postos, para ver se alguém desobedecia.

– Ufa, ainda chegamos a horas, mais um pouco e tínhamos uma multa, e a multa não era nada meiga: uma semana a trabalhar na nova obra arquitetónica do nosso rei, a acartar pedra de manhã à noite.

Começa o espetáculo, é anunciado nos altifalantes…1.2.3

O rei ergue-se e diz:

– O rei manda dar cinco passos a Bailarina

A multidão rodopia e rodopia de forma ordeira, pois já é sabido que o Rei odeia súbditos que não saibam rodopiar ordeiramente.

O rei está deliciado com a brincadeira e volta a mandar:

– O rei manda dar dez passos a tesoura.

Aqui nota-se uma certa atrapalhação e umas súbditas mais rechonchodinhas começam a avermelhar-se, mas ainda acompanham a brincadeira.

O rei já se rebolava de riso e estava cada vez mais eufórico. Agora é que ia ser, agora é que eles iam falhar.

– O rei manda dar 20 passos ao pé coxinho !

Aqui começou a confusão, por mais que os súbditos treinassem em casa, 20 passos ao pé coxinho, era apenas tarefa para os mais novos.

Agora o Rei ria alto e de forma sonora e a sua barriga gorda abanava como um barco numa tempestade.

– Coelhos, prendam estes mentecaptos que não sabem andar ao pé coxinho. No meu reino todos têm de fazer o que eu mando e bem feito!

Todas as terças, era a mesma coisa, iam sempre uns quantos súbditos presos, para que o rei continuasse a fazer estas brincadeiras palermas.

Como é que os ministros deram poder a um tolo? Ainda para mais uma tolo mimado e mal-educado.

-Despachem- se, hoje é quinta-feira dia da outra brincadeira real- diziam as mães, os pais, as tias e os primos uns aos outros para ninguém se atrasar.

Lá estava a multidão às cinco em ponto na praça real do Rei Crespim II.

Hoje, sua Alteza aparecia de costas, com uma enorme capa vermelha esvoaçante.

Às quintas, o rei trazia sempre uma nova brincadeira, mas hoje aparecia de costas, nunca o rei tinha aparecido de costas. A multidão estava agitada e desconfiada.

Dos altifalantes ouve-se o espetáculo vai começar e hoje vamos jogar ao macaquinho do Chinês

Uiiiii, que medo diziam os súbditos, será que hoje, o Rei trouxe macacos?

Os altifalantes prosseguiram, o rei irá dizer a frase : 1,2,3 macaquinho do Chinês e irá virar a sua cabeça real, para vós , quem se mexer após o rei voltar a sua real cabeça, serão eliminados e levados para a cozinha para lavar a loiça de todo castelo, mas sem Fairy! E toda a gente sabia que toda a louça que o rei tocasse era imediatamente para lavar e que depois era sujeita ao teste do algodão.

– Que castigo MAIS ABSURDO, este rei tolo, andava cada vez refinado. Eram ideias daqueles malfadados coelhos cortesãos, de certeza!

 

O espetáculo vai começar:

1,2,3, macaquinho do Chinês e o rei só esticava o dedo e ia eliminando a populaça.

Foram saindo, saindo, saindo e o rei não se estava a aperceber que o seu castelo se enchia de súbditos e mais súbditos irritados, enervados e com vontade de dar um açoite aquele pequeno ditador.

Pois …e quando caiu a noite sobrava um, apenas um unzinho, o rei ordenou:

– Acabou-se a brincadeira, vou para casa. Deu uma volta sobre si, com a capa esvoaçante e rumou ao castelo.

Que bela surpresa, o pequeno Rei apanhou quando chegou ao castelo, os seus súbditos estavam sentados nas suas cadeiras, nos seus sofás, nos seus móveis, nos seus candeeiros, até nos seus quadros.

Vermelho e encolerizado, gritou.

– Quem vos deu ordens para estarem, aqui? Guardas prendam-nos!

Um dos súbditos, que já estava cheio das ordens do rei mimado, gritou-lhe, ousou gritar-lhe.

– Foi sua alteza! ora, tínhamos de ir lavar a sua loiça, mas às tantas, não cabíamos na cozinha, fomos para os quartos, às tantas não cabíamos nos quartos fomos para as casas de banho, ás tantas invadimos o castelo e agora? Agora vá brincar e mandar para onde quiser, pois agora quem manda aqui somos nós.

O rei mimado e mal-educado, ainda tentou espernear, mas os seus coelhos cortesão levaram-no em braços para a rua. Afinal eles também eram culpados, e antes que as multidões lhe dessem uns bons açoites no rabo, era melhor irem para a sua toca- a toca dos coelhos, a do lobo tinham sido eles os causadores….

Continua nos próximos capítulos…

Vanda Furtado Marques

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