O Guardião das histórias

                            

Desde pequenita que acredito que há um guardião das histórias…imagino-o com umas enormes barbas brancas, uns óculos redondinhos e uns olhos verdes cheios de doçura.

Sempre me perguntei: Como é que as histórias não se perdem, não se embrulham e não se emaranham no passar dos tempos? Logo, logo me vinha à cabeça, o guardião que pacientemente ia enrolando o fio das histórias. Sim! Havia momentos em que as histórias se cruzavam, e se ele não estivesse sempre atento, poder-se-iam formar nós e mesmo baralharem-se todas as histórias. Imaginem! Eu estava a contar a história do Capuchinho Vermelho e de repente aparecia um príncipe encantado a tocar à porta da avozinha em vez de um lobo! Estão a maginar como isso iria mudar o rumo de toda a história? Isso nunca poderia acontecer! Estão a perceber como o guardião das histórias é tão importante!

Pensava eu, também: E se as histórias se perdem? se forem parar a um universo paralelo? O que aconteceria aos meninos do nosso mundo? Como iriam adormecer sem uma história de encantar? Por isso agradecia muito ao guardião e pedia-lhe para ele nunca deixar que nenhuma história fugisse ou desistisse do seu caminho.

Tantas vezes me imaginei ao seu lado a ver as histórias passar, e de como ele pacientemente ia me contando como tinha chegado a guardião, que vinha de uma linhagem muito antiga de Guardiões, era como se a linha das histórias fosse sendo passada por herança familiar. Eles tinham tanta, mas tanta responsabilidade!

Talvez por tudo isto, as histórias foram- se entranhando em mim, como se fossemos da mesma família. Sei que que não chego aos calcanhares do meu guardião das histórias…, mas sinto.me um bocadinho sua discípula.

O meu amor pelas histórias é resultado da minha ancestralidade, da minha imaginação, do meu encantamento pela vida e do meu sorriso genuíno.

Vanda Furtado Marques

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