Fátima, uma menina doce e cor de chocolate

 

    Há muito, muito, pouco tempo, numa aldeia em África vivia uma mãe e uma menina que sorriam como o sol que ilumina a manhã.

Nesta aldeia, as casas eram de barro, os telhados de colmo e o chão de terra. Não havia televisão, casas de banho, computadores, nem lojas de brinquedos.

Por outro lado, havia a natureza em estado puro, animais selvagens, poças de água para brincar e muita terra para fazer bolinhos.

Nesta aldeia, as mães e as filhas gostavam muito de estar juntas e conversar animadamente.

 Muitas vezes, ao entardecer mães e filhas sentavam-se no sopé da montanha mais próxima e enquanto as mães entrançavam os cabelos das filhas, iam contando e cantando histórias do seu povo e as façanhas dos seus antepassados.

Numa dessas conversas animadas, Fátima, que era ainda pequenita e que bebia as histórias vindas de todos os cantos e recantos, perguntou à mãe:

-Mãe, mãe porque é que nós somos castanhos?

-Ora, Fátima, tu já viste cor mais bonita que o castanho?  Castanho é a cor do chocolate, da mãe- terra e do café.

-Sim, mãe! Mas eu já ouvi falar de meninos que são brancos e outros até amarelos- disse a Fátima muito empolgada.

– Sabes Fátima, o nosso antepassado mais antigo era cor de chocolate como nós, depois foi-se espalhando pelo mundo e conforme as zonas do planeta para onde foi viver , foi-se adaptando e a pele também mudou de cor…é só isso!

– Ummmm, é mesmo assim! Por dentro somos todos iguais?  Os olhos de Fátima até ganhavam brilho.

– Ó meu amor, a cor da nossa pele não é o mais importante, o que é mesmo, mesmo importante é o nosso interior.

– Ah! Sim, os pulmões, a barriga de dentro e o coração? – disse Fátima cheia de confiança.

– Não, minha querida, o nosso interior, é o amor que temos dentro de nós, a nossa capacidade de fazer coisas boas e ajudar os outros, mesmo quando por vezes estamos tristes ou zangados

– Já estou a perceber, eu às vezes fico zangada contigo, porque me mandas ir buscar água ao poço…, mas depois olho para ti e estás tão cansada, que agarro nos meus pés descalços e lá vou eu.

– Isso mesmo, minha filha!!!

Mãe e filha continuaram a conversar e só foram para casa quando o sol já estava a esconder-se por entre as montanhas.

Naquela aldeia, nenhuma filha se ia deitar sem uma boa conversa e uma história de encantar.

Digo-vos, muito a sério, naquela aldeia podia faltar muita coisa, mas havia amor e afeto.

Vanda Marques

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