Contar histórias com o coração

 Quando o professor se senta no meio de um círculo de alunos e narra uma história, na verdade cumpre um desígnio ancestral, pois ocupa o lugar de xamã, do bardo celta, do cigano, do mestre oriental, daquele que detém a sabedoria. Nesse momento ele exerce a arte da memória. (PRIETTO, 1999, p. 41)

Se quisermos que a narrativa atinja toda a sua potencialidade devemos, sim, narrar com o coração, o que implica em estar internamente disponível para isso, doando o que temos de mais genuíno, e entregando-se a esta tarefa com prazer e boa vontade.
Ao contar doamos o nosso afeto, a nossa experiência de vida, abrimos o peito e compactuamos com o que o conto quer dizer. Por isso torna-se fundamental que haja uma identificação entre o narrador e o conto narrado.
Antes de sensibilizar o ouvinte o conto precisa sensibilizar o contador. A maneira como sentimos o conto será a mesma maneira com que o outro irá vê-lo. Se o considerarmos uma mera distração e entretenimento, será assim que ele irá soar; porém, se acreditarmos que ele pode ser uma pequena luz lançada no nosso caminho, ele será ouvido como tal. Não é por acaso que Lewis Carrol se referia aos contos de fada como presentes de amor.

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