Como é bom voar…

Era uma vez um passarinho rosa, lindo, como uma manhã de primavera. Este pássaro tinha um bico amarelo brilhante como o ouro. As suas penas eram lustrosas como o veludo.

Este passarinho voa nos céus, sentia a brisa do vento, o quentinho do sol, mas o seu coração não vibrava, os seus olhos não se riam com toda esta magia.

Ele sentia era um grande fascínio por uma gaiola dourada que via pela janela do palácio da Princesa Cheng. De certeza que a felicidade estava ali.

 Todos os dias, o passarito sentava-se no galho da árvore perto da janela e ficava com os olhos pousados naquela gaiola dourada e brilhante. Quem lhe dera poder viver naquela gaiola maravilhosa e brilhante!

O passarinho deixou de aproveitar o quentinho sol, o fresquinho da manhã, a boleia do vento, o fofinho das nuvens. O cheiro da terra molhada e até de saborear os pingos da chuva.

Sentia-se o mais infeliz dos pássaros, por não poder viver naquela gaiola dourada que brilhava e reluzia como o ouro. E ali ficava…

Certo dia, alguém abriu a gaiola e o pássaro não resistiu, voou pela janela e entrou naquela gaiola dourada com um ar maravilhado. Pousou num pequeno balouço feito de metal e balouçou, como se fosse o pássaro mais feliz do mundo.

 Ali se deixou ficar, até que a princesa se abeirou da gaiola e arregalou os olhos, esboçando um enorme e radioso sorriso.

Há semanas, que a princesa  esperava por este momento, agora sim! Era a princesa mais feliz do mundo. Como poderia ela ser feliz? Sem possuir aquele pássaro cor- de- rosa, que era o mais belo pássaro que já tinha visto em toda a sua vida.

Agora podiam ser felizes para sempre, ambos tinham aquilo que tanto desejaram… A princesa possuia o pássaro rosa e o pássaro estava dentro da gaiola dourada.

Mas com o passar do tempo, o pássaro começou a sentir-se preso, com falta de ar, as penas foram perdendo a cor, o bico ficou sem brilho e até o chilrear parecia o lamento de um prisoneiro.

A princesa também começou a sentir o seu coração a murchar, afinal qual era a graça de ter o passarito preso? Só ela é que o podia ver? Já todos o tinham ido admirar? E ainda para mais já não era o mais belo!

Decidiu abrir a porta da gaiola, e ficaram os dois olhos nos olhos, a princesa disse

– Voa passarinho, antes te quero ver belo e feliz , do que aqui triste e murcho dentro do teu palácio de grades dourado.

O pássaro estava amedrontado, e agora, como seria voltar para o mundo lá de fora? Será que era capaz? Lá fora não havia grades era uma amplidão tão grande! Mas uma brisa entrou pela janela e trouxe-lhe os cheiros e as memórias do mundo lá de fora e num rasgo de força abriu as asas e voou para os céus do mundo sem medo .

Vanda Marques

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