À procura dos sonhos perdidos…

Todos os dias, Maria vestia o seu fato vermelho, pintava os lábios cor de carmim, colocava cuidadosamente  a coroa na cabeça e percorria lenta e vagarosamente  o castelo, até chegar à janela. Encostava a sua face pálida aos cortinados de veludo e ali ficava, horas e horas. Por vezes, ficava ali toda a manhã , outras vezes, só deixava a janela,  quando a escuridão varria o reino.

Os habitantes deste reino distante interrogavam-se : ” O que teria acontecido à princesa Maria?

Alguns, diziam que uma bruxa que por ali passara lhe tinha lançado um feitiço, isso está sempre a acontecer nas histórias. Outros,  que ela esperava o amado que tinha ido para a guerra.Outros ainda diziam que a princesa tinha perdido os sonhos  numa noite de tempestade.

Já se faziam apostas bem chorudas e nas aldeias em redor não se falava de outro assunto.Até os torneios dos cavaleiros tinham sido esquecidos.

Os mais ousados batiam na enorme porta do castelo  e perguntavam aos guardas o que se passava com a princesa Maria? mas estes armados até aos dentes, só abanavam a cabeça e gritavam bem alto:

-Arredem daqui, arredem daqui..arredem daqui

Como não obtinham resposta, perguntavam aos jardineiros, aos criados, às aias, aos pajens. Mas os guardas, os jardineiros, os criados ,as aias e pajens não davam qualquer resposta.

Certo dia, o rei e a rainha deste reino distante  vestiram os seus melhores fatos, poliram as suas coroas douradas e decidiram que estava na hora de falar ao reino.

– Caros súbditos , a princesa perdeu  os seus sonhos numa noite de tempestade – disseram os dois com uma enorme tristeza  e desilusão. Apelamos a todos  cavaleiros do reino que nos ajudem a encontrar os sonhos da Princesa. Quem  encontrar os sonhos perdidos da Maria, receberá a mão da princesa em casamento – prometeu o Rei  emocionado.

Os rapazes e os cavaleiros partiram pelo mundo fora, falaram com bruxas e feiticeiros, , percorreram florestas perdidas, vales encantados e foram até reinos longínquos, quase que chegaram ao fim do mundo.

Porém regressavam, um a um, desanimados, cabisbaixos e sem um único sonho na algibeira, nunca ninguém tinha ouvido falar em sonhos perdidos. Como era isso possível?

Até que um dia, um rapaz vindo não se sabe de onde, sentou-se debaixo da janela do cortinado de veludo, onde Maria tanto esperava…pela chegada dos seus sonhos. E durante sete dias não arredou pé  e contou-lhe histórias e mais histórias . Nos primeiros dias, Maria nem abriu a janela, mas depois, ficou curiosa e as histórias estavam a alimentar-lhe a alma, estavam a  começar a fazer cocegas na imaginação, a porta dos sonhos  estava a  ficar entreaberta.

Na noite do sétimo dia, veio uma tempestade  e entre os ventos, as chuvas ,a trovoada, misturavam-se as histórias de encantar do rapaz  que as contava sem parar , mesmo com a tempestade a avançar. Depois, depois, ouviu-se um estrondo, a janela abriu  e a princesa gritou de alegria:

– Os meus sonhos voltaram , os meus sonhos voltaram já os tenho aqui no meu peito, obrigada rapaz das histórias.

Bem, agora só falta aquela parte em que a princesa e o rapaz das histórias casaram,  contaram muitas histórias , tiveram muitos filhos e foram felizes para sempre.

Vanda

 

 

 

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