A menina raios de sol

Estava um dia cheio de brilho, daqueles dias em que o azul do céu te faz rir os olhos, que o vento sopra uma brisa tão leve, que te aconchega, que as flores soltam um aroma tão inebriante que te fazem rodopiar.

  Maria, não resistiu e quase que voou para rua, ainda nem tinha dado dois passos, quando viu um enorme dedo apontado, seguido de uma voz irritante.

– Que cabelo mais despenteado e sem graça, pareces uma bruxa!

Maria, olhou para o dedo espetado, mas não deu grande importância e continuou a caminhar.

Mais uns quantos passos e outro dedo esticado e uma voz ainda mais irritante.

– Que vestido mais amarrotado, mais sem graça, faz-te parecer ainda mais desengonçada.

Maria ficou de olhos arregalados, sem jeito, mas mesmo assim, lá seguiu o seu caminho, já um pouco cabisbaixa.

Uns passos mais, e agora dois dedos esticados e uma voz ainda mais irritante.

– Onde se viu uma menina caminhar assim, aos saltos e sem elegância, pareces uma tonta!

Maria sentiu o coração mirrar, os olhos a lacrimejar, mas mesmo assim, seguiu caminho.

Caminhou um pouco mais, e eis quando uns dez dedos apontavam para ela, e umas vinte vozes estridentes e irritantes, gritavam.

– Que sorriso é esse estampado no rosto? não te disseram já que estás despenteada, com o vestido amarrotado, que tens um andar deselegante …então se te ris! deves ser totó!

Aqui a Maria desmontou-se, perdeu o norte e o sul e sem saber como chegou a um banco de jardim que a acolheu. Estava meio perdida, quando uma senhora, lhe perguntou se podia sentar-se ao seu lado. Maria acenou que sim com a cabeça e a senhora não perdeu tempo e falou:

-Menina dos raios de sol o que se passa? Para não ter o seu sorriso estampado no rosto?

– Eu conheço-a? – disse a menina muito espantada.

– Conhecer, não conhece, mas eu adoro vê-la na rua, sempre com um sorriso estampado no rosto, os cabelos ao vento, o caminhar saltitante, como se voasse.  Para mim, você é a menina raios de sol.

– Então deve ser a única! todos me apontam defeitos e me esticam o dedo, todos me julgam e fazem de mim gato sapato.

-Menina raios de sol, não pode deixar que lhe façam isso! Quem aponta o dedo, que resolva a sua vida, quem fala e a julga com uma voz irritante que olhe para dentro e descubra a força do amor, só depois disso, volte a abrir a boca.

 A Maria percebeu tão bem, tudo fez tanto sentido, que se levantou, deu um grande abraço à senhora e agradeceu-lhe pelas palavras sábias.

A senhora ficou a olhar para ela, enquanto se afastava , os cabelos voavam ao vento com rebeldia, o caminhar era saltitante, o vestido, mesmo amarrotada, enchia-a de graça, e mesmo não vendo a cara da menina,  tinha a certeza que ela levava no rosto o maior sorriso do mundo e no peito um coração enorme e cheio de amor e confiança.

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