Em volta dos Contos de fadas

  Os contos de fadas são narrativas situadas fora da realidade, de caráter sobrenatural, em que os fenômenos escapam a limitações, habitando o mundo dos sonhos, da magia e da fantasia. Trata de questões universais da condição humana (amor, medo, solidão, busca, morte, luta etc.), com uma estrutura básica composta por um início (o herói/heroína aparece em alguma dificuldade ou restrição), uma rutura (quando há uma saída para alguma condição desconhecida), um confronto, uma superação e uma restauração (busca de soluções e resolução de problemas/dificuldades) e um desfecho (volta à situação positiva inicial) (COELHO, 1998)

Estas narrativas – a que podemos simplesmente chamar de primordiais – possuem características estilísticas diversas, responsáveis por sua conformação estética e discursiva: a trama, em geral, inicia-se de imediato, de forma objetiva, sem rodeios ou detalhes; o tempo costuma ser indeterminado, a-histórico, expresso, geralmente, pelo pretérito imperfeito; a repetição linguística e a simplicidade estrutural são recursos narrativos bastante valorizados, bem como a representação simbólica; as personagens podem ser tipos, desempenhando funções específicas no grupo a que pertencem (o rei, o filósofo, o cachorro, a avó etc.) ou caracteres, representando padrões de comportamento específicos (o mentiroso, o ladrão, a malvada etc.); a maioria delas tem como objetivo a exemplaridade, passando valores morais e padrões de conduta.

Os autores que melhor representam essas narrativas tradicionais são, entre outros, Esopo (Fábulas, séc. V a/C.), La Fontaine (Fábulas, 1668), Charles Perrault (Contos, 1697), Irmãos Grimm (Contos, 1811) e Hans Christian Andersen (Contos, 1835).

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